Contratar o primeiro funcionário como MEI: quanto custa de verdade
O MEI pode ter um empregado, e os encargos diretos são 11% sobre o salário. Somando as provisões que vencem depois, o custo real fica perto de R$ 2.100 por mês.

O MEI pode contratar um empregado, e apenas um. O contrato é CLT normal, com carteira assinada, férias, décimo terceiro, FGTS e todas as obrigações que vêm junto.
A lei também limita o salário: o empregado do MEI recebe um salário mínimo ou o piso da categoria dele. Se a função exige pagar mais que isso, o enquadramento MEI já não comporta a contratação.
Os encargos que aparecem todo mês
- 8% de FGTS sobre o salário.
- 3% de INSS patronal sobre o salário.
- Os dois saem em uma guia unificada, o DAE, gerada no eSocial.
Sobre um salário mínimo, esses 11% dão pouco mais de R$ 175 por mês. Só que essa não é a conta inteira, e é aqui que o orçamento costuma furar.
O que vence depois, mas nasce agora
Décimo terceiro, férias com um terço e a multa do FGTS em caso de demissão não são despesas do futuro: elas são provisionadas todo mês, mesmo que o pagamento aconteça lá na frente.
Somando salário, encargos e essas provisões, o custo real de um empregado sobre o salário mínimo fica em torno de R$ 2.100 a R$ 2.150 por mês, sem contar vale-transporte, alimentação ou qualquer benefício que você escolha dar.
Quem guarda a provisão em conta separada passa por novembro e por férias sem sustos. Quem não guarda descobre em novembro que precisa de um salário a mais no mês em que as vendas ainda nem entraram.
Duas armadilhas
- Contratar o segundo empregado desenquadra o MEI automaticamente: a empresa vira ME, com outra tributação e outras obrigações.
- O eSocial é implacável com prazo. Folha enviada em atraso ou com erro de cálculo gera multa automática, sem aviso prévio.
Antes de contratar, faça a conta ao contrário: quanto essa pessoa precisa gerar de receita por mês para pagar os R$ 2.100 e ainda sobrar margem. Se a resposta depender de um mês excepcional, ainda não é hora.